O câncer de mama é um dos mais prevalentes na população, possui etiologia multifatorial e há diversos fatores dietéticos envolvidos em seu surgimento.
Câncer de mama x consumo de bebida alcoólica
O consumo regular de álcool é consistentemente relacionado com um aumento na incidência de carcinoma mamário, provavelmente devido ao maior estímulo do receptor de estrogênio da mama. Estudos epidemiológicos com mais de 300.000 mulheres avaliadas encontraram que o consumo adicional de cada 10g de alcool por dia (algo equivalente a 330ml de cerveja, 100ml de vinho ou 30ml de destilado) foi associado ao acréscimo de 9% no risco de desenvolver câncer de mama, chegando a um aumento de 43% se o consumo for superior a 30g de álcool por dia.
Câncer de mama x hábitos alimentares e obesidade
Há várias pesquisas que mostram o papel promocional do consumo de gordura na gênese dos tumores mamários, pois a gordura pode aumentar os níveis endógenos de estrogênio. Uma análise publicada em 2001, de 08 estudos sobre o assunto, verificou um aumento do risco relativo de 9% de câncer de mama com o aumento da ingestão de 5% de gordura saturada.
Entretanto, estudos experimentais afirmam que dependendo também do tipo de gordura consumida, há modificação no perfil de risco, pois os ácidos graxos poli-insaturados e o ômega 3 estão ligados a uma menor incidência de câncer de mama. Isso fica claro quando se observa a redução das taxas de incidência da neoplasia mamária em países com elevado consumo de fontes de ômega 3 – contidas especialmente nos peixes – como nas nações do Extremo Oriente.
Uma dieta rica em gordura aumenta os níveis de estrogênio e tem sido relacionada ao câncer de mama devido suas ações estimuladoras nas glândulas mamárias. Esse efeito ganha especial importância no período pós menopausa, em que os ovários param de funcionar e o estrogênio produzido depende quase exclusivamente do processo de aromatização periférica que ocorre principalmente no tecido adiposo.
De fato, estudos clínicos demonstraram que uma dieta rica em gordura e o aumento do índice de massa corporal (IMC) aumentam a incidência de câncer de mama após a menopausa em cerca de 26%, bem como aumenta a chance de recidiva tumoral em até 3 vezes naquelas pacientes previamente tratadas para câncer de mama.
Conclui-se que o papel específico dos fatores dietéticos e de hábitos de vida na causa do câncer de mama apesar de não totalmente esclarecido, merece cada vez mais estudos, já que as pesquisas têm mostrado que, como um todo, a prática de atividade física e a alimentação saudável com a manutenção do peso corporal estão associadas a uma diminuição de aproximadamente 30% do risco de desenvolver câncer de mama. Logo, o esclarecimento e incentivo a tais práticas são medidas de prevenção primária do câncer de mama e cruciais na saúde pública.
As informações descritas neste texto não substituem a consulta com o mastologista ou qualquer outro especialista médico.