De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, existem uma série de doenças mamárias que exigem atenção. Algumas delas até podem ser confundidas com o câncer de mama em decorrência dos sintomas. Independentemente de qual seja o sinal ou sintoma, qualquer alteração mamária deve ser avaliada pelo mastologista. Confira as principais alterações e doenças mamárias: ALTERAÇÕES DO DESENVOLVIMENTO MAMÁRIO:
- Assimetria mamária: Refere-se às mamas das mulheres que apresentam diferenças entre si. Por exemplo, um seio maior que o outro, com posição diferente das aréolas, formato, inserção no tórax, prolongamento lateral da mama, peso e assim por diante;
- Agenesia mamária: É uma condição rara que consiste na não formação da mama;
- Gigantomastia: São hipertrofias mamárias gigantes, ou seja, ultrapassam os volumes convencionais. É muito comum que as mulheres com gigantomastia desenvolvam problemas posturais e dores por comprometimento da coluna ao longo do tempo;
- Inversão do mamilo: Como o próprio nome diz, o mamilo é invertido, ou seja, não se exterioriza. Pode ser uma característica pessoal desde o nascimento, mas quando ocorre repentinamente é preciso recorrer ao mastologista para investigação, especialmente no período pós-menopausa e fora do ciclo gravídico-puerperal.
- Mama extranumerária: Trata-se de uma alteração congênita (desde o nascimento) decorrente da permanência de uma porção de tecido glandular mamário residual ao longo da linha láctea (linha que vai da axila até o períneo no período embrionário). Comumente afeta mais mulheres, apresenta localização mais frequente nas axilas, pode ser bilateral e até mesmo acompanhada de resquício de mamilo/aréola.
DOENÇAS BENIGNAS
- Ectasia ductal mamária: Alteração que consiste na dilatação dos ductos mamários. Sempre presente durante a amamentação, podendo ocorrer no pós-menopausa. Quando relacionada à obstrução do ducto, deve ser investigada;
- Cistos simples: Cistos mamários são estruturas de conteúdo líquido, advindas de dilatações de pequenas estruturas da mama responsáveis pela produção de leite (ácinos). Com o passar dos anos, ocorre um processo de involução do tecido fibroglandular da mama. Neste processo, a estrutura de sustentação do tecido mamário regride e propicia o aparecimento dos cistos. Na maioria dos casos, os cistos são muito pequenos; por vezes se tornam maiores e até mesmo palpáveis (e, nestes casos, incomodam a paciente). Ocorrem tipicamente dos 35 aos 50 anos, são sempre benignos e não há relação com o câncer de mama.
- Ginecomastia: Crescimento de mamas anormal em homens. Sua ocorrência está atrelada ao excesso de tecido mamário (ginecomastia verdadeira), não ao excesso de gordura (conhecido como lipomastia). Pode ocorrer no período puberal (de forma transitória, em geral) ou no período da andropausa (após os 70 anos). Pode estar associada a distúrbios endocrinológicos ou uso de drogas e/ou medicamentos (inclusive esteróides anabolizantes).
- Mastite: É a inflamação da mama, nem sempre relacionada à causa infecciosa bacteriana. Mais comum em mulheres durante o período da amamentação (mastite puerperal aguda), a mastite também pode ocorrer de forma mais arrastada (subaguda) e até mesmo crônica. Pode estar relacionada ao tabagismo, à doenças autoimunes (como a mastite granulomatosa autoimune), à doenças endocrinológicas (diabetes, por exemplo) e a agentes infecciosos atípicos, tais como microbactérias e fungos (mastite tuberculosa e fúngica). Todos estes casos são classificados como mastites atípicas.
- Necrose gordurosa (esteatonecrose): Em geral, se apresenta como área endurecida palpável na mama decorrente do processo cicatricial após necrose (morte) das células gordurosas das mamas. O problema pode se originar a partir de um trauma direto na mama (pancadas, quedas, tombos etc) e/ou após a realização de cirurgia mamária (mesmo aquelas para fins estéticos);
- Nódulos benignos: Lesão sólida mamária, fruto de um crescimento nas estruturas da mama, denominadas ductos e estroma. Sua causa não está completamente esclarecida, no entanto, há fortes indícios de que os hormônios femininos que surgem normalmente após a primeira menstruação estejam envolvidos. Tipicamente ocorrem da adolescência aos 30 anos e estima-se que sua frequência em mulheres na faixa dos 20 anos possa chegar a 20%. Se apresenta clinicamente como um achado palpatório (nodulação mamária) de aspecto não suspeito – arredondado, consistência fibroelástica e bem delimitado.
- O nódulo mais frequente é o fibroadenoma e outros tipos comuns são adenoma tubular, hiperplasia pseudoangiomatosa do estroma (PASH) e tumor phyllodes benigno.
LESÕES PRECURSORAS DE CÂNCER DE MAMA
- Carcinoma lobular in situ e carcinoma ductal in situ: Essas lesões ainda não são câncer propriamente dito, pois as células cancerígenas não invadiram o tecido (estroma) mamário. No caso do lobular in situ, ele está restrito ao lóbulo mamário, já o carcinoma ductal in situ está restrito ao ducto mamário. Ambas as lesões são células de natureza neoplásica tidas como precursoras do câncer de mama, ou são marcadoras de risco para o desenvolvimento da doença, por isso exigem de tratamento adequado, podendo ser cirurgia, radioterapia e tratamento medicamentoso;
- Lesões atípicas: Algumas lesões podem não ser carcinoma in situ, mas serem consideradas precursoras de câncer. Isso significa que podem progredir para doença maligna, demandando atenção especial. As mais comuns são hiperplasia ductal atípica, hiperplasia lobular atípica, atipia epitelial plana. Geralmente são achados de biópsia de achados em exames da mama.
DOENÇAS MALIGNAS
- Câncer de mama: Reprodução anormal de células neoplásicas da mama – na imensa maioria das vezes, originada nas estruturas ligadas ao ducto e lóbulo da glândula mamária. Trata-se do câncer feminino mais prevalente em todo o mundo e possui causas multifatoriais, como aspectos ligados ao envelhecimento, fatores reprodutivos, hormonais, de hábitos de vida e de herança genética. Os casos mais comuns se apresentam como um achado palpatório (nodulação mamária) de aspecto suspeito (endurecido, mal delimitado, com crescimento).