Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama é o mais incidente em seres humanos, acomete principalmente mulheres (excluindo os casos de pele não melanoma) e, de acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer, esperam-se 66.280 casos novos em 2020, o que corresponde a 29,7% das neoplasias no sexo feminino. A taxa de mortalidade é ainda elevada – em 2017, foram 16.724 óbitos decorrentes da doença.

Apesar dos dados serem alarmantes, há formas de diagnóstico precoce o que leva a uma redução na mortalidade pela doença. E a principal e mais bem estudada delas é a mamografia de rastreamento.

Trata-se de um exame de rotina em mulheres sem sinais e sintomas de câncer de mama, e que é recomendado anualmente na faixa etária de 40 aos 74 anos. Fora dessa faixa etária e dessa periodicidade, é indicado apenas em situações especiais pois os riscos aumentam e existe maior incerteza sobre benefícios.

A mamografia permite identificar melhor as lesões mamárias em mulheres após a menopausa. Antes desse período, as mamas são mais densas, há maior dificuldade da mamografia encontrar pequenos nódulos (a sensibilidade da mamografia é inferior), sendo necessário em geral o complemento com ultrassonografia mamária. Importante frisar que apesar da maior dificuldade diagnóstica na faixa etária jovem (dos 40 aos 49 anos), estudos já mostram um impacto positivo na redução da mortalidade.

Mamografia x ultrassonografia x ressonância magnética

A mamografia é o único método de rastreamento associado com diminuição estatisticamente significativa da mortalidade pelo câncer e sua indicação para a avaliação da população geral está bem documentada. A ultrassonografia e a ressonância magnética são capazes de detectar pequenas lesões de mama assintomáticas, muitas vezes ocultas na mamografia. Contudo, por não haver estudos que mostrem que esses métodos se associam com a redução da mortalidade pelo câncer de mama, tais exames são especialmente usados como complemento â mamografia e também indicados nos subgrupos de mulheres consideradas de alto risco.

Mamografia 3D (Tomossíntese)

A mamografia 3D ainda não é recomendada como método de rastreamento populacional, mas apresenta algumas vantagens que podem ser úteis em determinadas situações.

O fato é que a imagem se tornou essencial não só para o rastreamento, mas em todas as etapas da abordagem da neoplasia mamária, incluindo a avaliação da resposta, na vigilância pós-tratamento e em mamas densas e com achados duvidosos à mamografia tradicional. Progressos tecnológicos recentes e contínuos dos diferentes métodos oferecem novas oportunidades para melhorar ainda mais o atendimento clínico.

#SeToque

Além dos exames de rastreamento, a postura atenta das mulheres no conhecimento do seu corpo e no reconhecimento de alterações suspeitas para procura de um serviço de saúde o mais cedo possível ainda é importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama.

Faça a palpação de suas mamas em situações cotidianas para conhecer o que é normal e ter possibilidade de perceber alterações suspeitas, quando houver e, mais importante, não deixe de realizar seus exames de rastreamento de rotina do câncer de mama e de procurar seu mastologista.