O câncer de mama possui a maior incidência e a maior mortalidade na população feminina em todo o mundo. Foram estimados cerca de 60 mil casos da doença no Brasil em 2019 – mais de 25% de todos os tipos de câncer diagnosticados nas mulheres. O estado de São Paulo, com mais 15 mil casos, possui uma das mais altas taxas do País com cerca de 70 casos por 100 mil habitantes e é a principal causa de morte por câncer, tornando-se um verdadeiro problema de saúde pública.
O câncer de mama é considerado multifatorial para o seu surgimento, ou seja, diversos fatores podem contribuir para o seu desenvolvimento, tais como biológicos, endócrinos, genéticos, reprodutivos, alimentares e de estilo de vida.
Câncer de mama: Qual é a sua origem?
O surgimento do câncer de mama (carcinogênese mamária) envolve o processo de iniciação neoplásica, em que uma única célula apresenta desequilíbrio nos seus processos de formação e morte celular. Isso pode levar a alterações no DNA e promover alteração no ciclo normal. Esta célula “iniciada” transmite a modificação genética às células filhas, gerando uma população clone de células aberrantes, o câncer.
Câncer de mama: Fatores de risco e alimentação
Idade mais avançada, determinados grupos étnicos (como os judeus ashkenazi), fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher (menarca precoce, menopausa tardia, idade tardia da primeira gestação, menor número de gravidezes, menor número e/ou tempo de amamentações e uso de terapia de reposição hormonal), história familiar de câncer de mama e exposição à radiação ionizante na juventude (tratamento de determinados linfomas) são os mais bem conhecidos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama.
Porém, fatores dietéticos como o consumo de álcool e de determinados tipos de alimentos, além de fatores dos hábitos de vida como o excesso de peso e sedentarismo também são considerados agentes potenciais para o desenvolvimento desse câncer. E é sobre estes últimos fatores que cada um pode escolher para si – dieta e hábitos de vida – que detalharei a seguir.
O papel da dieta e de hábitos de vida como etiologia para o câncer de mama têm sido sugeridos e investigados há décadas, em parte pela razão da grande variação internacional da incidência deste câncer em diferentes países com seus hábitos alimentares próprios e também pelas conhecidas propriedades antioxidantes na influência na reparação do DNA e no sistema hormonal, bem como na teórica “desintoxicação metabólica” de determinados alimentos.
Apesar de alguns estudos por vezes serem contraditórios entre si, a ingestão de frutas e vegetais parece prevenir o câncer de mama através de seus antioxidantes e fibras. Pesquisas populacionais mostraram diminuição de risco de câncer de até cerca de 20% com o consumo de grande quantidade destes alimentos. A explicação mais provável deste efeito protetor reside na redução dos estrogênios bioativos envolvidos nas dietas com alto consumo de fibras.
Entre os nutrientes mais investigados por sua atuação preventiva na gênese do câncer de mama estão as vitaminas antioxidantes (A, C e E). Experiências in vitro demonstraram uma redução de tumores mamários induzidos experimentalmente. Esse efeito se deve à ação dessas vitaminas na defesa contra as espécies reativas de oxigênio, que são responsáveis por danos no DNA, na regulação da diferenciação celular e inibição do crescimento de células malignas. Entretanto pesquisas em mulheres reais não demonstraram com associação consistente entre a ingestão de antioxidantes e variação da incidência de câncer de mama, bem como a suplementação de megadoses de vitaminas não foi capaz de alterar o curso clínico e a sobrevida de paciente em tratamento de câncer de mama metastático.
As informações descritas neste texto não substituem a consulta com o mastologista ou qualquer outro especialista médico.