O linfedema é definido como uma condição crônica, lenta e progressiva que se constitui pelo acúmulo de líquido rico em proteínas no insterstício do tecido/orgão/membro decorrentes de insuficiência da drenagem linfática local. Esse quadro leva a alterações teciduais que causam o progressivo inchaço do membro afetado, sensação de peso, de aperto e diminuição da flexibilidade.
No contexto do câncer de mama, a drenagem linfática axilar pode ser afetada tento por acometimento direto pelas células tumorais, quanto por agressão cirúrgica e/ou da radioterapia. Os principais fatores de risco para ocorrência de linfedema durante o tratamento do câncer de mama são maior extensão da cirurgia de esvaziamento axilar, radioterapia das cadeias linfáticas, idade mais avançada, obesidade e seroma e edema precoces (nos primeiros 4 meses da cirurgia).
É muito importante que as pacientes de maior risco para desenvolvimento de linfedema sejam identificadas já no início do processo terapêutico e que avaliação e medidas precoces pela equipe médica, de enfermagem e de fisioterapia sejam implementadas visando a minimização desse risco.Idealmente todas as pacientes de maior risco para linfedema devem ser avaliadas pela fisioterapia oncológica antes do tratamento.
O tratamento oncológico deve se basear em procedimentos eficazes, seguros do ponto de vista terapêuticos e menos agressivos, como a biópsia de linfonodo sentinela e quando necessária a linfadenectomia, que essa feita de forma cuidadosa e o mais conservadora possível. Ele se aplica para a indicação de radioterapia das cadeias linfáticas. Um maior cuidado com membro submetido à esvaziamento axilar em pacientes de alto risco para linfedema (idosas, obesas e submetidas à radioterapia de axila e/ou fossas supraclaviculares) visando minimização de lesões e infecções locais é muito importante por todos da equipe e pela própria paciente.
A manutenção de hábitos de vida saudáveis, o combate à obesidade e sedentarismo devem ser uma prioridade para todas as pacientes com câncer de mama, dada sua relação com maior sobrevida livre doença, sobrevida global e menos índices de complicações advindos do tratamento (como o linfedema).
O diagnóstico do linfedema é clínico e se baseia na sintomatologia descrita acima, além da inspeção e palpação do membro, onde, dependendo da fase do quadro, podem existir, além do edema, alterações na pele e coloração do membro, fibrose, linfocistos e até sinais inflamatórios. A quantificação do quadro pode ser realizada com a medida do perímetro em 2 pontos fixos dos membros ou a volumetria direta (deslocamento de água) dos 2 membros. Considera-se linfedema quando a diferença da perimetria for maior que 2cm ou o volume maior que 200ml.